As causas e consequências da escassez de semicondutores no mundo

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Nos últimos 12 meses, a indústria global de eletrodomésticos, celulares, computadores, consoles de videogame e, principalmente, de automóveis vem sofrendo com um desabastecimento intenso de semicondutores.

Os semicondutores são chips utilizados em praticamente todos os aparelhos que utilizam dispositivos eletrônicos, desde celulares a aviões. De forma resumida, são responsáveis por produzir uma corrente elétrica que torna o funcionamento do aparelho possível.

Sua escassez vem afetando indústrias de todo o mundo, e, consequentemente, criando um boom na alta de ações de empresas destinadas à produção específica destes produtos. No setor automobilístico, dados mostram que no primeiro trimestre deste ano, mais de 1 milhão de carros deixaram de ser produzidos apenas por conta da falta deste único elemento.

No Brasil, diversas empresas precisaram interromper suas atividades por conta do desabastecimento, caso da GM, Volkswagen e Nissan.

O que causou esta crise?

Especialistas apontam que o cenário trazido pela pandemia de Covid-19 foi um dos principais causadores do contexto atual da escassez de semicondutores no mundo.

A partir da necessidade de isolamento social e instituição de quarentena em diversas localidades, fábricas tiveram que suspender suas atividades, e sem uma previsão certeira de retorno, muito pedidos de insumos foram cancelados. E entre esses pedidos, estavam os de semicondutores.

E como a indústria eletrônica trabalha em regimes de alta escala de produção, já que estes produtos necessitam de mão de obra especializada e mais tempo para serem produzidos, o impacto foi direto no resultante abastecimento.

Além disso, fatores climáticos também influenciaram na escassez. Em 2020, os Estados Unidos foi atingido por uma onda de frio extremo, causando a suspensão das atividades de fábricas que produzem os semicondutores.

Já em Taiwan ocorreu uma intensa seca que também influenciou a produção, pois o processo de fabricação destes produtos exige grandes quantidades de água. E no Japão, que é outra potência nesta produção, duas grandes fábricas tiveram sua fabricação interrompida por conta de incêndios ocorridos em outubro de 2020 e março de 2021.

Como especialistas ressaltam, uma “tempestade perfeita se formou para que a crise fosse instalada. Juntamente de uma concentração da produção no continente asiático, com uma única empresa (TSMC) responsável por 84% dos menores e mais modernos chips do mundo, e uma pandemia global afetando todos os setores da sociedade e economia, a escassez não teve escapatória.

Quais são as consequências?

Partindo do fato de que os semicondutores possuem prazo de entrega longo, formou-se uma longa fila de fabricantes aguardando para receber os produtos. Com isso, a produção foi diretamente afetada e os preços dos produtos, principalmente veículos, subiu bastante.

No caso da indústria de smartphones e outros itens eletrônicos, a queda na produção também foi brusca. Em abril de 2021, a Apple informou atraso na produção de Ipads e Macbooks. A Samsung também adiou a entrega de Galaxy Notes 21 e a Sony contava com um estoque baixo de PlayStations 5 por conta da falta de chips.

Segundo dados da consultoria KPMG, com a demora para construção de novas fábricas que possam oferecer mais semicondutores, preços de produtos como celulares podem subir em 15%. No caso das montadoras de veículos, a consultoria Alixpartners demonstra que a perda poderá ultrapassar US$210 bilhões.

No Brasil, empresas relatam que o aumento de preços beira 280%, com seis meses de atraso da entrega dos chips. O acompanhamento da consultoria Auto Forecast Solutions mostrou que o país possui oito fabricantes com 14 fábricas com a produção afetada, gerando reduções ou paralisações de linhas de 41 modelos.

Entre essas paralizações, a AFS destaca a GM, que contou com cinco meses de interrupção e perda de 115 mil unidades, a Volkswagen, que possuiu cortes entre maio e julho de 2021 que interrompeu três linhas de montagem, e a Stellantis, que atualmente é dona das marcas Fiat Jeep, Peugeout e Citröen. Diferentemente das outras duas, a Stellantis foi a que menos sofreu com a falta de semicondutores, deixando de produzir apenas 10 mil veículos de maio a julho de 2021.

Quais são as projeções para o futuro?

Até o final deste ano, 19 novas fábricas serão construídas. Em 2022, serão 10. Segundo a World Fab Forecast, este número provavelmente irá subir à medida que os fabricantes forem anunciando novas instalações.

Das 29 fábricas, 15 terão capacidade entre 30 mil a 220 mil wafers. Porém, vale ressaltar que muitas não começarão a instalar equipamentos até o ano de 2023, já que são necessários até dois anos após o início da produção para que a larga escala seja atingida.

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